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  • Dra. Vanessa Santarosa

Potencial vacina contra o diabetes




Um estudo recentemente publicado testando o tratamento com a vacina BCG (bacilos Calmette-Guérin) em pacientes com diagnóstico de diabetes do tipo 1 comprovou benefícios clínicos, inclusive para o controle do diabetes, levando a níveis glicêmicos próximos do normal.

A vacina BCG é uma das mais antigas, conhecida há mais de um século e é a primeira vacina recomendada no calendário vacinal de toda a criança visando prevenção das formas graves de tuberculose. O BCG aumenta a produção de uma citocina denominada fator de necrose tumoral (TNF) que parece ser benéfica em doenças auto-imunes como o diabetes do tipo 1, pois além de diminuir a auto-reatividade das células T responsáveis por atacar tecidos do próprio organismo (no caso, o tecido pancreático), o TNF induz a produção de células T reguladoras que podem prevenir a reação auto-imune. 

Um grupo de pesquisadores do renomado hospital Massachusetts General Hospital, vinculado a Harvard Medical School, publicou em 2001 os primeiros resultados de que a produção de TNF poderia curar o diabetes em ratos, porém em doses que seriam tóxicas para o ser humano. Desde então o grupo vem estudando a vacina BCG como forma de elevar os níveis de TNF de forma segura para ser utilizado em seres humanos. No estudo, 120 participantes com histórico de diabetes do tipo 1 avançado e de longa data foram submetidos a 2 doses de vacina BCG com intervalo de um mês e posteriormente uma vacina anual. No seguimento de 3 anos, todos os participantes tiveram uma melhora considerável dos níveis de HbA1c (principal exame de seguimento no diabetes) para valores próximos do considerados normal. Essa melhora permaneceu no follow-up de 8 anos. Essa foi a primeira evidência cientificamente comprovada de que uma vacina, através de mecanismos de modulação do sistema auto-imune, comprovou ser benéfica no tratamento do diabetes. Os resultados mostraram uma queda de quase 20% dos níveis iniciais de HbA1c após 4 anos do início do tratamento com a vacina e a média de HbA1c atingida pelos participantes foi de 6,6%, muito próximo do ponto de corte adotado hoje para o diagnóstico de diabetes (>6,5%), além de não ser relatado nenhum episódio grave de hipoglicemia durante o seguimento. Ao contrário, os participantes do grupo placebo tiveram uma elevação considerável da HbA1c no mesmo período. 

O principal mecanismo por trás da melhora dos níveis glicêmicos, segundo os pesquisadores, seria  a mudança do metabolismo da glicose de fosforilação oxidativa (a via mais comum pela qual as células transformam glicose em energia) por glicólise anaeróbia, via que envolve um consumo extremamente maior de glicose, algo nunca visto com qualquer medicação proposta para o diabetes. Os resultados são promissores e diversos trials com um número maior de participantes estão em andamento, inclusive um estudo de fase 2 aprovado pelo FDA.

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