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  • Dra. Vanessa Santarosa

Microbiota intestinal pode influenciar no peso

O intestino humano é colonizado por milhares de microorganismos vivos como bactérias, fungos e protozoários que até alguns anos atrás, assumíamos que viviam em completa harmonia com nosso corpo sem causar maiores danos à nossa saúde, fenômeno denominado simbiose. O equilíbrio intestinal depende de fatores ambientais e da genética do hospedeiro.



No entanto, nas últimas décadas, muito se tem descoberto sobre o impacto da flora intestinal na saúde. Hoje sabemos que nossa microbiota intestinal possui em média 500 vezes mais genes do que que o genoma humano e que essas bactérias produzem substâncias que afetam a composição química sanguínea. Em particular, a microbiota tem também um impacto sobre a forma como as calorias são absorvidas e como as células de gordura se desenvolvem. Ao ingerir um alimento, nosso intestino com a ajuda de enzimas digestivas e das bactérias colonizadoras, quebram esses alimentos em diversas partículas pequenas que são então absorvidas pela parede intestinal e transportadas para a corrente sanguínea, o restante não absorvido é eliminado nas fezes. Em outras palavras, nem tudo de caloria que ingerimos é absorvido e contribui para o incremento de peso. Algumas bactérias são mais eficientes no processo digestivo e portanto ao proporcionar maior absorção de calorias ajudam a aumentar o peso corpóreo. A microbiota de pessoas obesas tem uma composição específica, diferente da microbiota de pessoas magras, muitos estudos já demonstraram que a transferência da flora intestinal de ratos obesos em ratos recém nascidos e virgens de flora intestinal, induziram obesidade ao longo da vida, diferentemente de ratos que tiveram a flora transplantada de ratos magros, os mesmos permaneceram magros durante a vida. Pesquisadores da Universidade de Genebra na Suíça publicaram na Revista Nature um efeito surpreendente da microbiota intestinal contra a obesidade. O grupo demonstrou que a ausência da flora intestinal desencadeia um mecanismo metabólico importantíssimo na prevenção da obesidade, em que as células adiposas brancas (que armazenam energia e participam do processo de ganho de peso e resistência insulínica) são transformadas em células semelhantes à gordura marrom (tecido mais metabolicamente ativo, que queima calorias para produzir calor). Em seres humanos sadios, o tecido adiposo branco constitui cerca de 25% da massa corporal e, quando em excesso, contribui para a resistência à insulina e diabetes. Tal processo é semelhante ao que ocorre em resposta ao frio ou ao exercício, fenômeno conhecido como “escurecimento” da gordura branca.

Outra evidência forte de como a microbiota influencia nas doenças metabólicas advém dos efeitos da cirurgia bariátrica, especificamente do baypass gástrico em Y de Roux. Um dos principais equívocos no entendimento de como essa cirurgia reverte o diabetes e causa perda de peso é simplificar que a cirurgia limita a quantidade de ingesta calórica e provoca mal-absorção. Na verdade a cirurgia promove uma série de alterações fisiológicas e hormonais, sendo uma delas através da modificação da microbiota intestinal. Em 2013 pesquisadores publicaram na Science Translational Medicine um estudo em que foram transplantados microbiotas de ratos submetidos ao baypass gástrico em ratos com peso normal. Após o transplante esses ratos perderam aproximadamente 5% do peso corporal e apresentaram uma melhora da composição corporal, ou seja, menos gordura, sem nenhuma alteração na ingesta alimentar. Os autores concluíram que a mudança da flora intestinal pós a cirurgia bariátrica contribuiu para perda de peso e redução de gordura corporal nos hospedeiros transplantados.

O desafio agora é explorar alternativas de suprimir ou modificar a microbiota, identificando genes bacterianos específicos que contribuem para o ganho de peso, para a resistência insulínica e diabetes. Teríamos, então, um alvo, sem ter que esgotar ou substituir toda a microbiota. Enquanto isso não ocorre, deveríamos cuidar com carinho da nossa flora intestinal, evitando o consumo excessivo de medicações, antibióticos, álcool, evitando estresse, prevenindo doenças e infecções, cuidando melhor de nossa alimentação com alimentos ricos em probióticos e prebióticos.