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  • Dra. Vanessa Santarosa

Jejum intermitente, mais uma dieta da moda ou benefício para a saúde?

Dieta como instrumento para a perda de peso sempre fez parte de todo tratamento bem sucedido para a obesidade. Diversas são as dietas prescritas e recomendadas por profissionais da saúde ou divulgadas pela mídia. Jejuar não é algo novo, muito pelo contrário, o jejum é prática antiga e muito comum em algumas religiões, por exemplo, como forma de purificação, autocontrole e disciplina, e muitas vezes está presente também na rotina de muitas pessoas que não tem o hábito de comer de 3/3h.

Nos últimos anos, os efeitos do jejum tem sido motivo de diversas pesquisas sobre os potenciais efeitos benéficos para a saúde. Foi esse o tema que levou o biólogo japonês Yoshinori Ohsumi a ganhar em 2016 o Prêmio Nobel em Medicina. Ohsumi afirma que o jejum desencadeia o processo de autofagia, mecanismo pelo qual as células se auto-degradam permitindo  uma renovação das células e contribuindo para promover a longevidade do organismo.  Pela lógica reversa, a diminuição da autofagia propiciaria acúmulo de células danificadas e contribuiria para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas. Uma das situações que deflagra a autofagia seria o jejum prolongado, assim como a restrição calórica em 20 a 60%, também ativaria o mecanismo de autofagia. Contudo, no jejum prolongado ou na restrição calórica os efeitos podem ser negativos quando a autofagia começa a degradar células funcionalmente normais. Portanto, resta ainda uma importante pergunta a ser respondida e os pesquisadores estudam o tempo ideal de jejum suficiente para garantir benefícios sem causar prejuízos.

      Existem poucos estudos em humanos que mostram que o jejum intermitente é superior a outras dietas como a restrição calórica. Assim como qualquer dieta, se a mesma for seguida de forma rigorosa, o jejum intermitente propicia perda de peso que pode chegar até 10% após 12 semanas, índices semelhantes a outras dietas e medicações utilizadas para a obesidade. Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Ilinois, em Chicago e publicado no “JAMA Internal Medicine” demonstrou que o jejum não é melhor do que a restrição calórica diária em termos de perda de peso ou manutenção de peso subsequente. Trata-se de um ensaio clínico randomizado realizado com 100 obesos adultos, considerados metabolicamente saudáveis. Um grupo foi proposto o jejum de dia alternado e o outro grupo seguiu dieta balanceada porém restrita em calorias  Após 6 meses  de seguimento observou-se que a perda de peso nos dois grupos não diferiu estatisticamente, assim como a manutenção de peso em 1 ano de seguimento. Os participantes foram menos aderentes a dieta do jejum intermitente e não se observou  diferenças entre os grupos nos indicadores de risco para doenças cardiovasculares, como pressão arterial, triglicérides e glicose.

           Por outro lado, o jejum intermitente como forma de dieta pode ser mal interpretado, ser levado ao extremo, prejudicar a saúde e mascarar ou mesmo favorecer distúrbios alimentares como a anorexia, principalmente em jovens adolescentes. Dietas assim podem desestimular as pessoas a buscar uma reeducação alimentar e distorcer o conceito de alimentação saudável e balanceada. Além disso o emagrecimento com o jejum intermitente ocorre às custas de uma perda grande de massa muscular e água e não só com perda de gordura. Com um jejum prolongado pode-se perder nutrientes importantes e provocar fome compensatória no período fora do jejum.

       A redução de peso certamente é benéfica para a saúde, porém a escolha de como perder e qual dieta seguir é que deve ser individualizada e acompanhada por profissional medico para propiciar perda de peso com segurança. As pesquisas existentes ainda não possuem resultados que permitam difundir de forma generalizada o jejum intermitente como dieta segura e eficaz ao longo prazo para a saúde. Por enquanto, ainda não há evidências cientificas sólidas o suficiente para dizer que essa dieta é recomendada.





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