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  • Dra. Vanessa Santarosa

Você sabe o que são Disruptores endócrinos?


Descubra quais hábitos podem influenciar

o seu sistema hormonal.


Em meio a tanta modernidade e facilidades tecnológicas é compreensível que nós relativizamos ou mesmo ignoramos algumas das consequências negativas advindas do uso de produtos a nossa volta.  Talvez grande parte dos brasileiros nunca tenha ouvido falar nos disruptores endócrinos, mas todos nós estamos certamente em contato diário com eles.

     Disruptores endócrinos são substâncias exógenas (não produzidas pelo corpo humano) que interferem com a síntese, secreção, transporte, ligação ou ação de um determinado hormônio natural do nosso organismo. Eles podem mimetizar a ação de um hormônio, interferir na sua ação ou mesmo bloqueá-la. As consequências provocadas pelos disruptores endócrinos são as mais diversas. Nas últimas décadas, vários foram os estudos demonstrando a relação dessas substâncias com alterações endocrinológicas tais como: puberdade precoce, aumento do risco de câncer de mama, de vagina,  de testículos e de próstata, ovários policísticos, obesidade, redução na produção de esperma, infertilidade e alterações nos hormônios tireoidianos.

A exposição a esses disruptores endócrinos depende do tempo de exposição e idade, porém muitas vezes  o efeito não é diretamente dependente da dose. A exposição durante a vida fetal e em crianças e adolescentes, fases críticas do desenvolvimento, pode ocasionar múltiplas repercussões negativas a longo prazo.

     A lista de substâncias consideradas disruptores endócrinos cresce a cada dia e cada vez mais as pesquisas reforçam sua ligação com as diversas disfunções do sistema endocrinológico. Essa lista contempla um grupo heterogêneo de compostos tais como:

  • Bifenilos policlorados e dioxinas usados em solventes industriais;

  • Bisfenol A e ftalatos, encontrados no plástico;

  • Metoxicloro, cloropirifos e diclorodifeniltricloroetano presente em pesticidas;

  • Vinclozolina encontrado em fungicidas;

  • Parabenos presente em conservantes.

     Essas substâncias são desreguladores que estão presentes em inseticidas, detergentes, repelentes, desinfetantes, fragrâncias, solventes, retardantes de chama, colas, antiaderentes da construção civil ou mesmo em utensílios de cozinha e de uso pessoal. Frequentemente, contaminam também o solo e a água e podem permanecer no meio ambiente por muitos anos. Ou seja, os disruptores endócrinos estão a nossa volta.

     As primeiras evidências demonstrando a ação dos disruptores endócrinos são antigas. Entre as décadas de 40 e 70 o composto dietilestilbestrol, utilizado em mulheres grávidas para prevenir aborto causou, anos depois, na prole dessas mulheres, infertilidade e câncer vaginal. Em 1973, milhares de indivíduos foram expostos acidentalmente a grandes quantidades do composto bifenilo polibrominado que resultou anos depois nos descendentes, maior incidência de menarca precoce (1a menstruação). O caso mais famosos sobre os disruptores endócrinos ocorreu na década de 50 e 60 com o uso do DDT um pesticida usado em larga escala nessa época. Estudos comprovaram que o DDT apresenta ação estrogênica e pode afetar o sistema reprodutivo de mamíferos. Como essa substância e seus subprodutos persistem por muito tempo no meio ambiente, observou-se ao longo dos tempos anomalias no sistema reprodutivo de jacarés em vários lagos contaminados da Flórida e um declínio na população de algumas espécies animais na mesma região.

     O bisfenol A (BPA) é um dos disruptores endócrinos mais conhecidos e estudado. É utilizado na fabricação do plástico tipo policarbonato e na resina epóxi, utilizada na fabricação de revestimento interno de latas. A estrutura molecular do bisfenol A assemelha-se à do principal hormônio feminino: o estrogênio. Estudos associam  o BPA ao crescente número de casos de puberdade precoce e infertilidade masculina. O BPA é apontado como um dos responsáveis pelo desenvolvimento precoce da glândula mamária através da sua capacidade de estimular diretamente os receptores estrogênicos ou provocar um aumento da sua sensibilidade aos baixos níveis de estrógenos já circulantes em crianças. Outra hipótese é a de que o bisfenol A promova no sistema nervoso central um aumento da secreção do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), ambas as formas podendo levar o aparecimento da puberdade precoce em meninas. Um estudo publicado em  2015 encontrou correlação entre níveis plasmáticos de BPA e prevalência da síndrome dos ovários policísticos, que é uma das principais causas de infertilidade na população feminina. Da mesma forma, um estudo conduzido em quase 200 homens com infertilidade, mostrou uma relação entre oligospermia e alterações em espermatozoides e exposição ao bisfenol A.

     Hoje em dia é praticamente impossível nos livrarmos por completo do uso do plástico, porém reduzir a exposição a ele é altamente recomendável. Em contato com a comida o material pode sofrer alterações principalmente quando submetido a grandes oscilações de temperaturas como congelamento e aquecimento em microondas levando ao desprendimento de moléculas e contaminação dos alimentos. Da mesma forma, pessoas que consomem muito enlatados ficam expostas a quantidades maiores dessa substância, uma vez que as latas são revestidas por uma resina plástica que tem como objetivo evitar ferrugens. A vigilância sanitária determina normas de controle para as diversas indústrias porém cabe a cada um de nós também essa vigilância, nos expondo com parcimônia e cautela. No mesmo grupo estão os sacos plásticos tão usados para embalar lanchinhos, vasilhas de cozinha e garrafas de água.

Desde 2012 no Brasil está proibido o uso do BPA na produção de mamadeiras. Os outros produtos contendo o BPA sofrem regulamentação porém não proibição. O consumidor pode ficar atento para saber se o produto contém BPA ao checar se no símbolo de reciclagem da embalagem aparece o número 7.

     O ácido perfluorooctanoico (PFOA) é um outro componente químico também apontado como um disruptores endócrino, ele é comumente encontrado em frigideiras antiaderentes e coberturas de carpetes à prova de manchas. Estudos de associação demonstram a presença desse componente em amostras de sangue na população americana e quanto maiores os níveis de concentração sanguínea do PFOA maior foi o risco dessa população apresentar doenças tireoidianas. O perclorato, substância presente de modo disseminado na água, interfere com a entrada de iodo na célula tireoidianos prejudicando a síntese dos hormônios tireoidianos e predispondo ao hipotireoidismo. Algumas evidências sugerem que as isoflavonas presente na soja podem bloquear a enzima tireoperoxidase e que compostos com bisfenol  A tem a capacidade de bloquear os receptores do hormônio tireoidiano.

Uma preocupação alarmante nas últimas décadas tem sido o número crescente de obesidade e sobrepeso em todas as faixas etárias e em diversas partes do mundo. Isso se deve não só a hábitos de vida inadequados com aumento na ingesta calórica e diminuição da atividade física como também ao que os estudos sugerem como substâncias obesogênicas, substâncias que regulam inapropiadamente o metabolismo lipídico podendo desencadear a obesidade.

     Diante de tantas evidências de correlação, fica difícil ignorarmos as possíveis ações dos disruptores endócrinos e sua influência em nossas vidas. O uso conscienciente desses potenciais disruptores deve dar lugar ao uso indiscriminado e irracional dessas substâncias para construirmos um futuro melhor e preservarmos nossa saúde. Seja pro-ativo, cuide de sua saúde.

8  Dicas para diminuir a exposição ao disruptores endócrinos:


1- Água engarrafada: a água fica muito tempo em contato com a embalagem. Prefira utilização de filtros ao invés de água em galão.

2- Plásticos no geral não foram feitos para esquentar ou congelar, evite armazenar alimentos quentes.

3- Alguns componentes do filme plástico são solúveis em gordura podendo contaminar o alimento em contato, portanto substitua-o pelo papel alumínio ou sacos de papel (como o de pão!)

4- Não se trata de economizar e sim de saúde! Evite vasilhas velhas, opacas e muito riscadas.  O processo de lavagem e aquecimento contínuos e vasilhas queimadas tornam mais sucetível a liberação de partículas contaminantes.

5- Evite comprar latas amassadas e com vincos, isso pode danificar a fina camada do revestimento plástico e liberar substâncias indesejadas.​

6- Prefira o vidro, porcelana ou aço para armazenar alimentos.​

7- Evite o consumo de alimentos e bebidas enlatadas, pois o bisfenol é utilizado como resina epóxi no revestimento interno das latas.​

8- Caso utilize embalagens plásticas para acondicionar alimentos ou bebidas, evite aquelas que tenham os símbolos de reciclagem com os números 3 e 7 no seu interior e na parte posterior das embalagem. Eles indicam que a embalagem contem ou pode conter o BPA na sua composição.

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