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  • Dra. Vanessa Santarosa

Primeira medicação aprovada para doença ocular tireoidiana



     O hipertireoidismo de causa auto-imune conhecido como Doença de Graves pode cursar com a oftalmopatia de Graves, que apesar de rara, tem potencial de ser extremamente grave, comprometendo a visão e prejudicando esteticamente o indivíduo. A principal característica da oftalmopatia de Graves é o exoftalmo, ou seja, o olho " esbugalhado", saltado para fora. Associado, pode ocorrer estrabismo, dor ocular, vermelhidão, sensação de corpo estranho, lacrimejamento excessivo, fotofobia, visão dupla, edema das pálpebras e infecções oculares de repetição pois o olho fica mais exposto e seco.

     Até o momento, o tratamento mais efetivo para a doença ocular tireoidiana era o próprio controle do hipertireoidismo com medicações antitireoidianas visando manter as taxas hormonais normais, aliado a imunossupressão com corticoide, radioterapia ou cirurgia ocular.

     A oftalmopatia na Doença de Graves é mediada por anticorpos conhecidos como anticorpo anti receptor de TSH (TRAB). O tecido orbitário expressa receptores tireotrópicos e portanto a manifestação ocular pode fazer parte do quadro clínico. No entanto, alguns indivíduos com a oftalmopatia apresentam TRAB negativo sugerindo que outros antígenos possam estar envolvidos. Estudos demonstram que o receptor do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) são expressos em quantidades maiores em pacientes com Doença de Graves. O IGF-1 é uma proteína produzida no fígado em resposta ao hormônio de crescimento (GH) com papel importante no crescimento, desenvolvimento e metabolismo. Essa proteína também contribuiu nos mecanismos de imunidade, motivo pelo qual pode ser alvo terapêutico em doenças auto-imunes.

      A primeira medicação aprovada recentemente pelo FDA e destinada a doença ocular tireoidiana chama-se teproturumab. Trata-se de um anticorpo monoclonal contra o receptor de IGF-1. Estudos in vitro demonstravam que a inibição do receptor de IGF-1 atenuava as ações do IGF-1, do TSH e do TRAB nos fibroblastos orbitários diminuindo inflamação e proliferação fibroblástica. O estudo clínico com o teproturumab foi publicado no Journal of the Endocrino Society, com um total de 171 pacientes que mostrou melhora em 77% dos casos de exoftalmo após 6 meses de tratamento, independentemente do sexo, idade ou tabagismo, que são características que frequentemente impactam na resposta aos tratamentos previamente existentes. A medicação apresenta perfil de segurança adequado com baixos índices de efeitos colaterais e excelentes resultados para a doença ocular moderada a grave.



Dra. Vanessa Aoki Santarosa Costa

Médica Endocrinologista formada pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo

Mestrado em Tireoidologia pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo

Foi  médica colaboradora no Ambulatório de Diabetes Gestacional da UNIFESP

Atua em consultório médico particular na Vila Clementino, Zona Sul, São Paulo.

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