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  • Foto do escritorDra. Vanessa Santarosa

Doenças da Tireoide

 

Hipotiroidismo

    O hipotiroidismo caracteriza-se por déficit na produção de hormônios tiroidianos. O hipotiroidismo é classificado em: primário - decorrente da disfunção da glândula tiroidiana, secundário - decorrente da disfunção de secreção de TSH pela hipófise, e terciário - resultante de uma disfunção na secreção de TRH pelo hipotálamo. A causa mais prevalente é a tiroidite de Hashimoto, mediada por auto-anticorpos, que atacam a própria tireóide do indivíduo causando inflamação e destruição do tecido tireoidiano. Estima-se que até 3% da população apresente a tiroidite de Hashimoto. De maneira geral, a sintomatologia decorre de um metabolismo mais lento caracterizado por fadiga, lentificação, humor deprimido, sonolência, dificuldade de concentração, diminuição da memória, intolerância ao frio, aumento discreto no peso e bócio (aumento do volume cervical) em muitos casos. Em​ crianças o hipotiroidismo é caracterizado por déficit do crescimento e da cognição. O diagnóstico do hipotiroidismo primário, o mais comum, baseia-se no quadro clínico associado a níveis deTSH elevados e T4L baixos. Existe ainda, o hipotiroidismo subclínico, entidade cada vez mais prevalente, que caracteriza-se por níveis de TSH pouco elevados e T4L normais. A pesquisa dos auto-anticorpos anti-TPO e anti-Tg sugere fortemente a etiologia auto-imune e eles estão presentes em mais de 90% dos pacientes com tiroidite de Hashimoto. O tratamento do hipotiroidismo consiste na adequada reposição de hormônio, sendo a dose proporcional ao grau da disfunção da glândula. Com o tratamento correto, acompanhamento médico e monitoramento pelo nível de TSH, a doença é facilmente controlada proporcionando ao paciente uma vida normal.



Hipertireoidismo


    O hipertireoidismo decorre do excesso na produção e secreção dos hormônios tireoidianos. Trata-se de uma doença potencialmente grave se não diagnosticada e tratada precocemente, uma vez que se associa a riscos de arritmia, osteoporose e aumento da mortalidade. Assim como o hipotiroidismo, a causa mais comum dessa doença é a auto-imune, conhecida também como Doença de Graves. A presença do anticorpo contra o receptor tiroidiano do TSH (TRAb) estimula a formação e secreção dos hormônios tiroidianos. Uma outra causa relevante de hipertireoidismo são os bócios uni ou multinodulares, em que a presença de nódulos hiperfuncionantes resultam em excesso na produção dos hormônios tiroidianos. O quadro clínico decorre do estado hipermetabólico caracterizado por taquicardia, aumento da pressão sistólica, nervosismo, irritabilidade, labilidade emocional, tremores, insônia, emagrecimento rápido, pele quente e úmida, sudorese excessiva e bócio. Casos mais graves podem desenvolver arritmia, insuficiência cardíaca e surtos de doenças psiquiátricas. A Doença de Graves  pode muitas vezes vir associada a doença inflamatória da órbita - oftalmopatia de Graves que se caracteriza por proptose ocular (olho "saltado"). O diagnóstico baseia-se na associação do quadro clínico, dosagens dos hormônios tiroidianos TSH, T4Le T3L, os anticorpos anti-tiroidianos, sobretudo o TRAb, ultrassonografia da tireoide e cintilografia nos casos de hipertiroidismo com nódulo. O tratamento inicialmente baseia-se em medicações que bloqueiam a produção e liberação dos hormônios tiroidianos, associado a drogas que melhoram mais rapidamente os sintomas, os betabloqueadores. Até 30 a 40% dos pacientes remitem a doença somente com o tratamento clínico, porém a maioria dos pacientes necessitarão de um tratamento definitivo. O método definitivo mais usado para o tratamento do hipertireoidismo é o iodo radioativo, seguido da tireoidectomia.


Nódulos tiroidianos


     Com o advento da ultrassonografia de tireóide e o aumento da solicitação desse exame, a prevalência dos nódulos tiroidianos aumentou consideravelmente nos últimos anos. Estima-se que mais de 60% da população apresente nódulos tiroidianos detectados pelo ultrassom. É mais prevalente no sexo feminino e a partir da 3a década de vida. Na avaliação de um nódulo de tireoide, o endocrinologista deve se atentar para dois aspectos:  a hiperfuncionalidade ou não do nódulo e características que sugerem malignidade. A grande maioria dos nódulos tiroidianos são assintomáticos e quando causam sintomas, geralmente estão relacionados ao tamanho e à produção exagerada de hormônios tiroidianos. Algumas características como extremos de idade (< de 20 anos e > de 60 anos), sexo masculino, nódulo de crescimento rápido, exposição à radioterapia no pescoço e face, histórico familiar de câncer de tireoide, rouquidão e linfonodomegalia cervical estão associados a maior risco de malignidade. Dados do ultrassom também são fundamentais para a suspeita de malignidade e quando necessário, uma punção aspirativa do nódulo deve ser indicada para uma adequada avaliação médica e tomada de decisão no tratamento. Nódulos de aspecto benigno devem ser seguidos regularmente devido o risco de crescimento e alteração de suas características, e nesses casos, uma punção no geral também é indicada. Nos nódulos malignos o tratamento consiste em exérese do nódulo ou tireoidectomia total associado ou não ao iodo radioativo.



Dra. Vanessa Aoki Santarosa Costa

Médica Endocrinologista formada pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo

Mestrado pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo

Foi  médica colaboradora no Ambulatório de Diabetes Gestacional da UNIFESP

Atua em consultório médico particular na Vila Mariana, Zona Sul, São Paulo.

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