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  • Dra. Vanessa Santarosa

Nova proposta para classificação do diabetes

Uma nova proposta para a classificação do diabetes foi recentemente sugerida por um grupo de pesquisadores da Suécia e da Finlândia. O estudo foi publicado na renomada revista The Lancet – Diabetes & Endocrinology em março desse ano. A nova classificação tem como objetivo caracterizar melhor os subtipos de diabetes e com isso, personalizar o tratamento e prevenir precocemente suas complicações.

Genericamente, hoje o diabetes é dividido em dois tipos principais: o diabetes do tipo 1 que acomete crianças e adolescentes, é uma doença autoimune que compromete a produção do hormônio insulina resultando em falência pancreática precoce, correspondendo a 10% dos casos; e o diabetes do tipo 2 que afeta 90% dos casos, surge por volta dos 40/50 anos de idade, de causa multifatorial que evolve genética e hábitos de vida, cuja fisiopatologia engloba diferentes graus de resistência insulínica e deficiência parcial na produção da insulina. Essa classificação existe há mais de 20 anos e sabemos que ela apresenta uma série de limitações. O diabetes faz parte de um grupo de distúrbios metabólicos crônicos cujo ponto em comum é a hiperglicemia, sendo diagnosticado por alterações em um único componente do sangue: a glicose. Porém a elevação da glicemia pode ser causada por um conjunto de fatores distintos tanto genéticos quanto adquiridos que resultam em menores concentrações de insulina plasmática, redução na sua ação ou ambos, levando a quadros clínicos heterogêneos e prognósticos distintos. Essa é a justificativa para a elaboração de uma nova classificação para a doença.

Os pesquisadores da Lund University Diabetes Center da Suécia e do Institute for Molecular Medicine Finland da Finlândia e com junto com outros centros de pesquisas suecos e finlandeses argumentam que propor uma nova categorização do diabetes poderia identificar precocemente indivíduos mais susceptíveis às complicações crônicas, individualizar o tratamento e garantir melhor assistência a esses pacientes. No estudo, participaram quase 15 mil pacientes com idade entre 18 e 97 anos que foram monitorizados desde o início do diagnóstico e por um período de 10 anos. A análise de combinações cruzadas de medidas de secreção de insulina, níveis de resistência à insulina, idade, glicemias plasmáticas e HbA1c, presença de auto anticorpos e índice de massa corpórea resultou em 5 subgrupos de pacientes com características da doença distintas:


Grupo 1 10% (diabetes autoimune severa ou SAID na sigla em inglês) - pessoas jovens com doença autoimune, caracterizada pela deficiência de insulina e presença de anticorpos como o anti GAD, como na existente classificação do diabetes tipo 1


Grupo 2 15% (diabetes com severa deficiência de insulina, insulino-dependente ou SIDD, na sigla em inglês)- indivíduos jovens, sem problemas relacionados ao peso e com deficiência na produção de insulina, apresentam elevados níveis de HbA1c, porém sem origem autoimune


Grupo 3 15% (diabetes com severa resistência à insulina, ou SIRD, na sigla em inglês) - pacientes que apresentam maior resistência à insulina, índice de massa corpórea elevado e predispostos a risco maior de doença renal


Grupo 4 20% (diabetes associado à obesidade, ou MOD, na sigla em inglês) - pessoas com diabetes de grau leve e associado à obesidade


Grupo 5 40% (diabetes da meia idade, MARD, na sigla em inglês) - indivíduos de meia idade com doença mais amena


Na nova classificação, o diabetes tipo 1 permanece inalterado, porém o diabetes do tipo 2 passaria a ter quatro subcategorias com apresentações clínicas, evolução e grau de complicações muito distintos. O grupo 2 SIDD e 3 SIRD seriam as formas mais graves da doença, que exigiriam mais agressividade no tratamento e rastreio mais precoce de complicações. A SIDD aparentemente está mais ligada ao aparecimento da retinopatia diabética – que se não tratada pode evoluir para a cegueira, ao passo que a SIRD aumentaria o risco de complicações renais. Hoje não conseguimos identificar precocemente os indivíduos com rápida progressão da doença e mais susceptíveis às complicações. Isso seria uma ferramenta importantíssima no manejo dessa doença , proporcionaria um tratamento mais personalizado e voltado para o desenvolvimento da doença naquele indivíduo.

Trata-se do primeiro estudo que propõe, após 20 anos, uma mudança na classificação do diabetes. Apesar de interessante a proposta, existe algumas limitações do estudo como o fato de ser restrito a uma população étnica específica e carecer de biomarcadores sabidamente importantes na caracterização da doença como marcadores genéticos, perfil lipídico e outros parâmetros que compõem a síndrome metabólica.

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