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  • Dra. Vanessa Santarosa

Atualizações em Osteoporose




Recentemente, uma nova classificação de osteoporose vem sido discutida e proposta para ampliar a definição de osteoporose e englobar pacientes com risco aumentado de fraturas. A justificativa para tal discussão é a de que muitos pacientes sob risco de fratura ou mesmo muitos que já sofreram algum tipo de fratura, pela classificação atual não receberiam o diagnóstico de osteoporose, o que entra em contradição com a própria definição da doença.      Atualmente, osteoporose é uma condição caracterizada por aumento no risco de fraturas e é definida pela alteração do exame de densitometria óssea. Receberiam o diagnóstico de osteoporose, mulheres na pós menopausa ou homens acima de 50 anos, que apresentassem -2,5 desvios-padrões em relação a massa mineral óssea de adultos jovens em sítios como coluna, fêmur, colo do fêmur ou 1/3 distal do rádio. Essa alteração pode ser traduzida como um risco aumentado de fraturas por traumas de baixo impacto ou mesmo fraturas espontâneas. No entanto, diversas entidades americanas destinadas ao estudo de doenças ósseas, dentre elas a Endocrine Society, a American Society for Bone and Mineral Research e a American Academy of Orthopaedic Surgeons apoiam essa discussão e afirmam que cada vez mais pacientes sem diagnóstico de osteoporose e sem tratamento adequado vem sofrendo fraturas. Essa nova classificação está prevista para ser incorporada nos próximos guidelines das principais entidades americanas.

    O principal problema da classificação atual é a de que a densitometria não leva em consideração a qualidade do osso e sim só a densidade mineral óssea, o que subestimaria o risco de fratura bem como o número de pacientes que se beneficiariam do tratamento. A nova classificação propõe que além do T-score três outras situações sejam levadas em conta para o diagnóstico de osteoporose:

  1. Pacientes que sofreram fratura de quadril independentemente do T-score

  2. Pacientes com diagnóstico de osteopenia na densitometria e com fratura de vértebra, úmero proximal ou pélvica

  3.  Pacientes com um risco em 10 anos de fratura de quadril superior a 3% ou maior que 20% em outros sítios (fratura maior) calculado pela ferramenta da World Health Organization Fracture Risk Algorithm (FRAX)

      Os autores afirmam que há uma resistência em considerar osteoporose em pacientes com fratura, sendo que apenas 20% desses casos são considerados e tratados como osteoporose. Um exemplo comum nos dias de hoje seria uma mulher de 62 anos que apresentou uma fratura de quadril e que tenha na densitometria óssea um T score de -2,4 em coluna ou quadril. Pela classificação atual, ela teria osteopenia. Osteopenia com uma fratura de quadril seria incongruente diante do conceito de osteoporose e o que sabemos hoje em dia sobre doenças ósseas. Essa paciente provavelmente não receberia o tratamento adequado (bisfosfonato ou teriparatida por exemplo) e estaria sob risco, portanto, de novas fraturas.

    Estatísticas norte-americanas mostram que 55% das fraturas de quadril ocorrem em pacientes que tem osteopenia ao invés de osteoporose. Os critérios de osteoporose vem mudando ao longo dos tempos e essa mudança seria o próximo passo lógico. Segundo os especialistas essa discussão é importante para clínicos e especialistas para refletirmos e aplicarmos na prática clínica esse conceito ampliado de osteoporose e assim beneficiar um maior número de pacientes com essa condição.

    Da mesma forma que é importante discutirmos o adequado diagnóstico de osteoporose, opções terapêuticas para um tratamento eficaz é imperativo. Novas perspectivas estão surgindo com os estudos da medicação abaloparatide, um análogo sintético do paratormônio (PTH) que age através do recepctor de PTH estimulando a formação óssea. O estudo ACTIVE  (Abaloparatide Comparator Trial in Vertebral Endpoints) é um trial de fase 3 envolvendo  quase 2.500 mulheres na pós menopausa com diagnóstico de osteoporose que foram randomizadas para três diferentes braços do estudo: abaloparatide, placebo ou teriparatida. Analisando os três braços do estudo, os pesquisadores encontraram uma redução de 86% de fraturas vertebrais e 43% de fraturas não vertebrais comparado ao placebo e quando comparado ao teriparatida o abaloparatide reduziu em 55% as fraturas osteoporóticas. Além disso, o abaloparatide aumentou a densidade mineral óssea na densitometria em 9,2% em coluna, 3,4% no fêmur e 2,9% em colo do fêmur. Quando analisados o efeito da medicação em diferentes subgrupos de mulheres estratificadas por idade, histórico prévio de fratura e difererentes cortes na densitometria óssea (T score de -2,5 ou -3,0) o abaloparatide foi consistentemente eficaz, o que o torna uma medicação que pode ser usada em diversos estágios da doença. A teriparatida já existe no mercado há alguns anos, é também um análogo do PTH e atualmente o único agente anabólico ósseo no mercado, ou seja, a única medicação que age primariamente na formação e não na reabsorção óssea como a maioria das medicações. Ligando-se ao receptor do PTH, a teriparatida exerce as mesmas ações biológicas que o PTH endógeno: estimulação de formação óssea pelas células osteoblásticas e ações indiretas no rim e intestino promovendo aumento da reabsorção tubular renal e intestinal de cálcio. Comparando-se com a teriparatida, o abaloparatide além de parecer reduzir ainda mais o risco de fratura, parece também agir de forma mais rápida, o que o torna mais eficaz e um agente promissor no combate a osteoporose.



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