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  • Dra. Vanessa Santarosa

Insulina inalatória - Uma nova trajetória na história da insulina





    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em junho de 2019 a comercialização do produto Afrezza®, que é uma insulina em pó de ação ultrarrápida. A notícia agradou milhões de brasileiros entre médicos e pacientes portadores de diabetes pois essa insulina promete maior facilidade na aplicação e garante melhoria na qualidade de vida dos portadores da doença. A previsão é que o produto chegue às farmácias ainda esse ano, no final de 2019. Nos Estados Unidos, a Afrezza é aprovada pelo FDA desde 2014, funcionando de forma equivalente às insulinas ultrarrápidas de uso subcutâneo existentes no mercado, como a lispro (Humalog®), asparte (Novorapid®) e glulisina (Apidra®), só que é administrada por via inalatória.

    Historicamente, a Affrezza® não é a primeira insulina inalável aprovada para uso comercial. Em 2006, tanto o FDA como a ANVISA aprovaram o Exubera® registrado pela Pfizer®, no entanto o laboratório anunciou o cancelamento da venda deste produto no ano seguinte alegando motivos econômicos. A decisão aparentemente não teve problemas relacionados à eficácia ou segurança do produto, que foram amplamente comprovadas por estudos na época, e sim pelo fato de o produto não ter atingido as expectativas da companhia, uma vez que não teve a aceitação esperada no mercado, o investimento foi muito alto e o retorno financeiro muito aquém do previsto.

     Apesar do histórico ruim com o Exubera, a Affrezza® traz novas esperanças, pois abre um novo leque de possibilidades terapêuticas para o emprego da insulina em adultos com diabetes mellitus. Já era sinônimo de insulina a injeção subcutânea, esse estigma afastou e afasta muitos pacientes do tratamento e do bom controle da doença. A novidade permite substituir as aplicações chamadas de "bolus", que são prescritas pré refeição e geralmente 3 vezes por dia. O outro tipo de insulina, chamada de basal e representada por insulinas lentas e ultralentas, por hora, não tem alternativa. Mas para um diabético do tipo 1 ou 2 insulino-dependente que faz no mínimo 4 aplicações diárias (uma basal e três bolus nas refeições) isso seria reduzido a apenas 1 aplicação subcutânea, sendo as demais supridas pela insulina inalável. Como todo medicamento novo, a insulina Afrezza precisará passar pela aceitação dos pacientes e de seus médicos prescritores, ganhar espaço no mercado das medicações mais modernas para o tratamento do diabetes e comprovar sua verdadeira utilidade, mas tudo indica que será mais um medicamento importante no arsenal terapêutico à disposição do paciente com diabetes. 

     Os custos ainda não foram revelados, mas assim como as novas medicações para o tratamento do diabetes, estima-se que seja um tratamento caro para o bolso brasileiro. Nos Estados Unidos, o kit para um mês custa de US$ 150 a US$ 400, dependendo da dose, se meramente convertido para a moeda brasileira, isso equivaleria a R$ 580 a R$ 1.550, infelizmente um tratamento caro.

      A Afrezza® é comercializa em pó, em cartuchos com três tipos de dosagem 4, 8 ou 12 unidades. O pó inalado chega aos alvéolos e é rapidamente absorvido pela corrente sanguínea e age em menos de 15 minutos. O inalador é cômodo e cabe na palma da mão e pode ser confundido com as famosas "bombinhas" para os asmáticos, o que gera menos constrangimento do que uma injeção no abdome. Ela é mais fácil de transportar e armazenar e não necessita de refrigeração. Por outro lado, é contraindicada para menores de 18 anos e pessoas com problemas respiratórios, como asma ou bronquite, tabagistas e apresenta baixa disponibilidade de dosagens e de forma fixa, o que limita bastante a titulação de dose. 


Dra. Vanessa Aoki Santarosa Costa

Médica Endocrinologista formada pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo

Foi  médica colaboradora no Ambulatório de Diabetes Gestacional da UNIFESP

Atua em consultório médico particular na Vila Clementino, Zona Sul, São Paulo.

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